Saturday, November 14, 2015

uma cruzada secular


Me sinto inspirado pela energia sagrada que brota de uma CONVOCAÇÃO poético-militar como esta que se me apresentou ao acaso da combinação do espírito cruzadístico da música (marcha templária) e da revolta atéia da "letra", os dizeres incendiários de Camus contra o fascismo de seu tempo. Me sinto em maior prontidão à BATALHA ESPIRITUAL pela frente. Que me toma contornos diferentes de uma simples oposição cristãos versus islã. É mais feurbachiana, ao reconhecer o homem por trás dos seus ideais sobre o que deveria ser o deus (que não é senão sua própria imagem e semelhança aperfeiçoadas). É o combate da razão, da espiritualidade secular, contra os inimigos totalitários de nosso próprio tempo, mesmo que, como no caso do "homem revoltado" camusiano, não haja deuses em quem depositar confiança, mesmo, e sobretudo, que sagrado seja o homem, a vida, o mundo, este mundo, o único, CONTRA os monstros que se arvoram em representantes do outro mundo que só existe em suas mentes delirantes e calhordas. "Numa palavra, vós escolhestes a injustiça, passando-vos para o lado dos deuses. (...) Eu, pelo contrário, escolhi a justiça a fim de permanecer fiel à terra. Continuo a pensar que este mundo não tem qualquer serntido superior. Mas sei que, nele, se alguma coisa tem sentido é o homem, porque é ele o único a exigi-lo. Este mundo possui pelo menos a verdade do homem, e é nosso dever dar-lhe razão contra o próprio destino. E essa razão não é outra senão o próprio homem. É ele que fará com que seja salva, se quisermos, a ideia que fazemos da vida. (...) Vai surgir a alvorada em que sereis finalmente vencidos. Eu sei que o céu, indiferente às vossas atrozes vitórias, será de novo indiferente à vossa justa derrota. Dele continuo a nada esperar. Mas nós ajudamos pelo menos a salvar as criaturas da solidão em que queríeis encerrá-las, Por terdes menosprezado essa fidelidade ao homem, sois vós que ireis morrer sozinhos, aos milhares."