Tuesday, December 15, 2015

a disputa das drogas


O cartoon acima, com que topei hoje no facebook, é interessante como ilustração de um dos tipos clássicos de falácia, ou fuga do debate lógico, que é contrapor ao seu acusador uma outra acusação, que de preferência soe mais grave. 
O fundamental è não precisar responder pelo que VC fez. O nome dessa esperteza é ˜Tu quoque (você também)". 
atual pocilga política brasileira, você não passa um dia sem topar com doses cavalares desse expediente. 
No caso do cartoon, outra esperteza é fazer a crítica a um costume, o consumo de maconha, ser desferida por alguém obviamente sem autoridade moral nenhuma para tanto. O que nos remete a outra falácia fundamental para quem deseja "vencer um debate sem precisar ter razão", no estilo que Schopenhauer zueiro ensina em livro sobre a erística (arte do combate de ideias, que para o bicho homem passa muito longe de ter por alvo a vitória da sensatez). 
segunda falácia è essa" ? O estreitamento das opções em disputa. O consumo de maconha se legitima porque seu adversário é um asqueroso viciado em junk food etc. Náo há alternativas fora deste espectro do possível, é escolher entre este preto ou este branco, como ou é Cunha ou é Dilma, ou é petralha, aceitando as coisas como estão petralhamente, ou é golpista. 
Você não destrói o gosto da massa pela alta cultura dizendo que Ibsen é uma merda, mas admitindo que os futucadores de cu (refiro-me à famigerada peça dos "macaquinhos", que tanta celeuma gerou esses dias pelo gosto duvidoso e apoio de verbas federais) fazem uma arte que merece o mesmo nome do que Ibsen fazia. Você se legitima não pelo que é ou tem a oferecer, que vc sabe ser uma bosta, mas pelo rebaixamento do nível de expectativas do respeitável público.