Sunday, December 13, 2015

inútil comédia demo-crática








Na morna passeata desta tarde, na Paulista, o único dos caminhões parados que me arrancou do torpor estático em que eu caminhava era o que tocava este clássico do Ultraje. "Inútil". Nunca a ouvi com tamanha sensação de atualidade. É de 1984, nem havíamos voltado a votar para presidente ainda, mas parecia feita para essa passeata, para a falta de vergonha na cara coletiva que nos trouxe até a presente sarjeta, da qual não há sinal de salvação à vista, se considerarmos o leque de representantes que "temos por hoje" para seguir nessa comédia demo-crática, não por acaso demonizada por tantos pensadores, e tão diversos em tantas coisas mas uníssonos no asco e distância cética dos espetáculos sadomasoquistas do rebanho no poder. O que diriam vocês, caros Platão, Nietzsche, de um caso como o brasileiro, dado o nível de política eleitoral possível com esses representantes e esses  representados? Com essa pátria educadora e mestra como poucas em fazer de uma música como "Inútil" a única verdade nesta terra da mentira?


INÚTIL
-Ultraje a Rigor-

A gente não sabemos escolher presidente
A gente não sabemos tomar conta da gente
A gente não sabemos nem escovar os dente
Tem gringo pensando que nóis é indigente

(Refrão)

Inútil
A gente somos inútil
Inútil
A gente somos inútil
Inútil
A gente somos inútil
Inútil
A gente somos inútil

A gente faz carro e não sabe guiar
A gente faz trilho e não tem trem prá botar
A gente faz filho e não consegue criar
A gente pede grana e não consegue pagar

(Refrão)

A gente faz música e não consegue gravar
A gente escreve livro e não consegue publicar
A gente escreve peça e não consegue encenar

A gente joga bola e não consegue ganhar