Tuesday, December 22, 2015

"Sabor da Vida"

Eis um filme que se faz ótima viagem e companheiro de viagem para reflexões e balanços típicos de um fim e recomeço nas revira-e-voltas do tempo. Japonês, nele sorvemos, como as panquecas amalgamadas à mágica pasta de feijão da misteriosa senhorinha que bate à porta de um amargo doceiro, o sabor xintoísta da reverência à vida, amalgamado à consciência zen da impermanência de tudo. Na encruzilhada entre a mecânica fria das relações capitalistas (parênteses: amo uma Ayn Rand, que aliás é maior que uma apologista do capital, mas nunca vou me conformar com a recém-empossada chefete de um café da Paulista e seu timing brutal de demitir funcionárias sérias, de longo tempo de casa, a uma semana do natal) e a sensibilidade aos laços primários entre as pessoas e delas com a natureza, tal como postos em ato na alquimia da culinária e na contemplação das cerejeiras. Lindo!