sábado, janeiro 30, 2016

NET ou a inesperada virtude do tilt

"Birdman": um dos filmes da minha vida, e a NET resolve dar tilt na meia hora final. Tilt dos mais cruéis, não de simplesmente sair do ar, mas ficar tremendo, borrando a imagem, voltando e tremendo e borrando de novo. Puta que pariu! É de se sentir naquele modo irrelevância existencial on que o filme traduz tão bem. Até a voz sarcástica do alter ego heroico vem com tudo pra cima de você. Pobre televisão que teve de ter ouvidos e músculos de aço pros meus gentis afagos verbais e tapais que não duraram muito, mas foram como a maconha do alívio que o Michael Keaton fuma depois das verdades que ouviu da filha. Pensando bem, foi um ótimo jeito de "interagir" com a magia do filme, experimentá-lo, mais que assisti-lo de novo. De Brecht a Heidegger, grandes pensadores do século passado são unânimes na importância da "falha", do enguiço, da estranheza, como atalho e empuxo de libertação psíquica, moral e (por que não? a ideia não é monopólio dos esquerdistas triplex) política.