Monday, February 01, 2016

o cárcere e a fenda


Para uma versão do I Ching
-Jorge Luis Borges-
O porvir é tão irrevogável
como o rígido ontem.
Não há uma coisa
que não seja uma letra silenciosa
da eterna escrita indecifrável
cujo livro é o tempo.
Quem se afasta
de sua casa já retornou.
Nossa vida
é senda futura e percorrida.
Nada nos diz adeus. Nada nos deixa.
Não te rendas. O carcere é escuro,
a firme trama é de incessante ferro...
Mas de algum canto de seu encerro
pode haver um descuido, uma fenda.
O caminho é fatal como flecha
Mas nas gretas está Deus,
que espreita.