sábado, janeiro 14, 2017

100 anos de Revolução Russa (I)



Impossível não olhar com outros olhos pra personalidade de Chomsky, suas posições políticas libertárias, sua crítica, antes e melhor que a do dromedário novo inquilino da Casa Branca, à mídia como pool de uma só rede "fake news",  e até sua linguística universalista (reflexo de uma aposta na possibilidade de comunicação, ou seja tornar comum, partilhar, entre os homens mais diversos), após o espetáculo de homenagem que lhe é feito no filme "Capitão Fantástico". 
Aqui, ele rebate uma espectadora de esquerda xiita, inconformada por ele colocar Lênin, o "Lula" (quimera) dos socialistas de velha guarda, no mesmo rol totalitário de Stálin. Stálin não deturpou Lênin, nem Lênin, em certo sentido, deturpou Marx. Os três deturparam um grande ideal, talvez impossível enquanto tal, mas com capacidade ética para nos conduzir a uma social-democracia madura, conciliadora dos dinamismos do mercado, dos direitos do indivíduo e dos seus deveres para com o gênero (raiz do termo "genero-sidade") humano e com a Terra, também espoliada e injustiçada pelo patrão demoníaco que fez dela escrava, o homem.