quarta-feira, janeiro 25, 2017

a conversão do Apóstolo


Cego tu eras antes de "cair do cavalo", metáfora consagrada pela visita, no caminho de Damasco, do Senhor que perseguias com olhos entenebrecidos pelas escamas de ódio, ou amor invertido. A Luz que não podias suportar, fechado que estavas no conforto opressivo da escuridão, precisou te arrebatar as vistas carnais até que as espirituais se abrissem. No educandário da Terra também as feridas e doenças e perdas são professores de espiritualização do concreto e concretização do espírito.
Cair do cavalo virou sinônimo de todas as arrogâncias equivocadas -Jung diria fixações unilaterais da consciência- sendo punidas pela inevitável reviravolta, "conversão", como nossos carros mudando de rotas, quando o motorista percebe o lapso ou o bloqueio.
Inspirai uma conversão sempre mais fecunda à verdade e à integridade, apóstolo dos pagãos.
E o ardor das missões apaixonadas, das viagens aos confins e aos avessos.
E o bom combate, caindo e levantando, sangrando e sorrindo, atento ao que o reveses ensinarem ser preciso mudar, perseverante sempre e vitorioso ao fim. Rogai por mim.

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Comentário do dia por Santo Agostinho (354-430)
Bispo de Hipona (norte de África), Doutor da Igreja
Sermão 279

O perseguidor transformado em pregador

Vinda do alto do Céu, a voz de Cristo fez com que Saulo caísse por terra: recebeu ordem de não continuar com as suas perseguições, e caiu por terra. Era preciso que tombasse e em seguida se erguesse; primeiro caído e depois curado. Porque Cristo não teria nunca vivido nele se Saulo não tivesse abandonado a sua antiga vida de pecado. Caído por terra, que ouve ele? «Saulo, Saulo, porque Me persegues? É duro para ti recalcitrar contra o aguilhão» (At 26,14). Ao que ele respondeu: «Quem és Tu, Senhor?» E a voz do alto continuou: «Sou Jesus de Nazaré, que tu persegues». Os membros ainda estão na Terra, a cabeça grita do alto do Céu; e não diz: «Porque persegues os meus servos?» mas: «Porque Me persegues?»
E Paulo, que empregava todo o seu ardor nas perseguições, dispõe-se desde logo a obedecer: «Que queres que eu faça?» Já o perseguidor se transformou em pregador, o lobo em ovelha, o inimigo em defensor. Paulo aprende o que deve fazer: se ficou cego, se a luz do mundo lhe foi subtraída durante um certo tempo, foi para que no seu coração brilhasse a luz interior. A luz é retirada ao perseguidor para ser dada ao pregador; naquele momento em que não via nada deste mundo, viu Jesus. Ele é um símbolo para os crentes: aqueles que creem em Deus devem fixar nele o olhar da sua alma, sem ter em consideração as coisas exteriores. [...]
Saulo é conduzido a Ananias; o lobo destruidor é levado à ovelha. Mas o Pastor que tudo conduz do alto dos Céus, tranquiliza-o [...]: «Não te preocupes. Eu lhe revelarei tudo o que ele tem de sofrer pelo meu nome» (At 9,16). Que maravilha! O lobo é trazido à ovelha [...]. e o Cordeiro, que foi morto pelas ovelhas, ensina-as a não temerem.