terça-feira, abril 11, 2017

aqueles dias, aquele eu


SURREAL topar, quase vinte anos depois, com uma gravação integral daquela que foi minha primeira e maior aventura como estudante de teatro, no papel do imperador louco da peça "Calígula", a obra-prima de Albert Camus :D Sempre difícil conservar a vitalidade e o impacto de um espetáculo teatral na transposição para o vídeo, fazendo jus ao jogo das luzes, aos sons, ao frisson de comunhão e tensão dos atores entre si (com uma tensão adicional naquela trupe pelos choques de vaidade, dada a natural cobiça pelo papel principal) e com a plateia. 
Mas ao menos se pode ter uma ideia, e, no meu caso, morrer de saudade daqueles dias e daquele "eu" .
 Que bom, entre tantas perdas inevitáveis na torrente do tempo, desfrutar ainda da amizade intelectual de Camus, e com ele poder me engajar em sempre novas aventuras existenciais (são elas que me importam, mais que tudo)  na procura ativa e na espera não-passiva da graça da criação.