segunda-feira, novembro 20, 2017

um descuido do não


Sei lá, a vida tem sempre razão
-Vinícius e Toquinho-
Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída.
Como é, por exemplo, que dá pra entender:
A gente mal nasce, começa a morrer.

Depois da chegada vem sempre a partida,
Porque não há nada sem separação.
Sei lá, sei lá, a vida é uma grande ilusão.
Sei lá, sei lá, só sei que ela está com a razão.
A gente nem sabe que males se apronta.
Fazendo de conta, fingindo esquecer
Que nada renasce antes que se acabe,
E o sol que desponta tem que anoitecer.
De nada adianta ficar-se de fora.
A hora do sim é um descuido do não.
Sei lá, sei lá, só sei que é preciso paixão.
Sei lá, sei lá, a vida tem sempre razão.

quarta-feira, novembro 15, 2017

terça-feira, novembro 14, 2017

a psicologia do possível heptacampeonato


Mais de 30.000 pessoas no treino histórico do Timão, na véspera do clássico com o Palmeiras

O Corinthians está a uma vitória de levantar seu sétimo caneco de campeão brasileiro. Faltam quatro rodadas, e com mais três pontos, ele não poderá mais ser alcançado por ninguém. Aparentemente, um desfecho tranquilo (aparentemente porque nada para nós é tranquilo), e que até surpreende. O mês de outubro do time foi péssimo, com várias derrotas e empates, sedimentando a impressão de que a invicta e histórica campanha do primeiro turno seria arruinada no segundo. E pior, a impressão era de que justamente o Palmeiras, nosso arquirrival, depois de estar 300 pontos atrás, seria o cavalinho do Fantástico a nos tomar a dianteira. Essa suprema humilhação foi projetada, não sem toques de psicologia reversa, por dois corintianos célebres, Casagrande, na Globo, e Neto, em inesquecível desabafo no seu programa na Band:

O fato é que esse apocalipse foi evitado quando o Timão derrotou o Porco, desanimando-o e aos outros concorrentes diretos, por sinalizar que não estava a fim de participar desse roteiro de fracasso trágico. Especialmente importante foi a presença em massa do torcedor no treino da véspera do clássico: mais de 30.000 fiéis passando energia positiva, abraçando o time, sabidamente limitado, e ajudando os jogadores a focarem-se no amor, e não no terror, como diz aquele slogan de épocas de cobrança desesperada a times em crise ("ou vai no amor ou vai no terror").


O ano foi muito louco, até para os padrões normalmente manicomiais deste time. Em janeiro éramos considerados a "quarta força" entre os paulistas (atrás do milionário Palmeiras, do São Paulo e do Santos). O prognóstico mais favorável para um campeonato duro como o brasileiro era, no máximo, chegar lá por décimo, décimo segundo na classificação. Não ser rebaixado seria lucro. Mas fomos campeões paulistas e arrancamos para um Brasileirão formidável, no primeiro turno.
Havia qualidades técnicas não reconhecidas, havia uma infra-estrutura clubística (que melhorou muito desde o rebaixamento de 2007), havia um técnico novato, mas que se mostrou muito determinado e eficaz, em especial na arte de montar uma defesa consistente.
Com isso, e com os primeiros resultados, a confiança foi crescendo, a Fiel empurrando, e o ambiente hostil e competitivo -fardo em todos os setores de atividade humana- se tornou um motivador para que o estado de alerta máximo fosse sustentado. Isso até o relaxamento do segundo turno. Um dos maiores perigos no sucesso... é o próprio sucesso! Ele pode amolecer a fibra do caráter, incutir certos dispositivos de fuga para o prazer, ou para a fantasia, deixando de lado as durezas do compromisso com a realidade. 
Nessas horas é preciso que o indivíduo se volte para seus acervos de energia, encontre essa força que a massa trouxe no treino da véspera da "final" com o Palmeiras, volte a temer o fracasso (estratégia que me parece implícita no desabafo de Neto), mas não com um temor que paralisa, e sim o que estimula, que nos põe em ação, humildes de novo, "quarta força" se preciso, mas atentos, ao mesmo tempo passionais e objetivos, e com tesão de levantar um novo caneco.
Vai Corinthians!


segunda-feira, novembro 13, 2017

o fogo da noite


"Depois de um ano de deterioração da sua saúde e de incerteza espiritual, Blaise Pascal teve uma visão. Foi no dia 23 de novembro de 1654. Às 10h30 da noite, provavelmente quando estava deitado na cama, uma poderosa sensação de bem-estar total e completo, uma certeza tão súbita e completa, que, quando escreveu sobre o fato, encabeçou a página com a palavra fogo. A sensação durou duas horas, e ele tentou capturá-la no papel. Conforme escrevia, seus sentimentos mudaram, pois nenhuma visão pode se sustentar por duas horas, e ele começou a sentir que pecara nos últimos anos. A visão sempre acontece dessa maneira. A sensação inicial é de vitalidade, que faz com que alguém afirme  toda a existência e o amor; amor pelo mundo, amor pela sua realidade física. Conforme essa certeza se esvai, a pessoa se torna ciente da necessidade de disciplina para que essa sensação seja recapturada, e da falta de disciplina no passado. A crônica de Pascal começa da seguinte maneira:
Fogo.
Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó, não dos filósofos e estudiosos.
Certeza,  certeza, sensação, contentamento, paz."
Colin Wilson,
Superconsciência

Nirvana, "Dive"


domingo, novembro 12, 2017

estranhofobia

Se essa moda pega, nem em meu prédio me deixam mais entrar

Superman - Main Theme


o Deus sem rosto


"Não defendo nenhum princípio, mas sim alguma coisa bem mais maravilhosa, alguma coisa que está em nós, que arde no fogo da vida, que exulta e quer brotar".

"Sempre me pareceu que as coisas são belas, valiosas, quando são presentes, não aquisições".

"Sem dúvida, já naquela época [Lou fala de um poema que compôs na infância] vibrava por trás de minhas experiências e procedimentos o mesmo tom fundamental que não parecia resultar, de modo algum, de um vir-a-ser paulatino, nascido de experiências normais, alegres ou tristes. Era como se proviesse de um antiquíssimo saber não infantil, de uma reexperimentação daquele impacto primitivo comum a todo homem que desperta conscientemente para a vida e do qual a vida não pode deixar de guardar a marca indelével".

[Revelando que o Deus que se perdeu para ela foi apenas o Deus com rosto, o Deus nomeado, não o Deus "elementar", horrível e  belo, clamor condutor da poesia de Rilke, a propósito de quem Lou reflete nessa passagem] "O que está, mesmo para as pessoas 'crentes', na base do nome de Deus? O contato do que nos é ainda acessível a partir da consciência, mas que, contudo, escapa de nossas motivações conscientes, não nos aparece mais como 'nós'; ainda que nós desemboquemos ali e, por isso, agrade-nos sucumbir à tentação de denominá-lo, de objetivá-lo, no mais recôndito de nosso ser".

"Poder deixar algo em suspenso, ao invés de desperdiçar reflexões diante do inacessível não é apenas um direito como também um dever ao qual a inteligência humana deve aspirar".

-Lou Salomé, Minha Vida-
(trechos recolhidos por Salma Muchail em Lou Salomé: o 'Elementar' por sob a Vida)

sábado, novembro 11, 2017